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| Em foto de 1946, Chico, Pedro e Odílio, Fazenda São Pedro, no Riacho Grande. Foto de Cirilo Cabral. |
A mudança de Pau dos Ferros para Mossoró, mais precisamente para o Riacho Grande, aconteceu no final de 1934.
O Riacho Grande fica na zona rural de Mossoró, à margem da rodovia RN 015, entre Mossoró e Baraúna. Atualmente está construído o Complexo Penitenciário Mário Negócio, que abriga diversos presídios.
Foi exatamente para esse lugar que Pedro e Antônia levaram os filhos, com exceção de Chico, Cirilo e Eliseu, que já moravam em Mossoró.
Assim, as terras adquiridas de Pedro em sociedade com o filho Chico, passaram a se chamar Fazenda São Pedro, aonde Pedro trouxe o gado de Pau dos Ferros, tangidos pelo filho Odílio e vaqueiros de Pedro, no final de 1934.
Os filhos: Maria, José, Júlia e Regina não vieram com os pais para Mossoró porque já estavam casados e permaneceram em Pau dos Ferros. Tempos depois, migraram, com exceção de José, o único filho a permanecer na terra natal.
Maria e Regina vieram morar no Riacho Grande, eram casadas com agricultores. Júlia quando veio, passou a residir no bairro Doze Anos, pois o marido era barbeiro e montou barbearia e mercearia no mesmo bairro.
Em 1935, Adelzira, Guiomar e Inalda passaram a morar em Mossoró, para dar prosseguimento nos estudos, e Chiquinha, que veio para cuidar da casa de Chico Cabral, enquanto as irmãs estudavam, ficando no Riacho Grande: Véscia, Ana e Odílio.
Vizinho as terras de Pedro e Chico, já havia a Fazenda São João, pertencente a um senhor já idoso, João, proprietário de muitos hectares de terras que adoeceu e teve que se desfazer da fazenda para pagar o tratamento de saúde. O médico pediatra Tarcísio de Vasconcelos Maia, nascido em 1916, adquiriu essas terras do senhor João, incluindo a Fazenda São João. Sabe-se que próximo do antigo casarão da fazenda, ainda há um poço datado de 1932, com as iniciais da Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca, órgão ligado ao Ministério da Viação e Obras Públicas, mas que em 1936, passou a ser denominado DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra Secas.
No Riacho Grande, as tarefas eram divididas: Véscia ajudava a mãe nas tarefas de casa, arrumar, cozinhar, lavar e passar roupa. Ana cuidava da mercearia que Pedro montou para atender seus colaboradores, vaqueiros e agricultores, bem como da região. E Odílio fazia de tudo na fazenda, cuidava de gado, plantio e colheita. Mas o que gostava mesmo era do gado e de cavalos.
Pedro montou um local para a corrida de gado, o que seria um parque de vaquejada, que segundo Odílio, não havia cercas delimitando o espaço ou o corredor por onde o vaqueiro corria com o boi, era tudo solto. Pedro gostava de ver vaquejada e de correr também. Antônia ficava estressada e comentava: "Onde já se viu, um velho correr atrás de gado".
O deslocamento do Riacho Grande para Mossoró era de cavalo, jumento ou carro de bois. Nesse tempo, o trajeto Mossoró para Fortaleza era feito pela mesma estrada.
Antigamente, o trajeto entre Mossoró e Riacho Grande era de duas horas a cavalo ou jumento.
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| Em 1947, um padre Franciscano, Pedro, Chico e Odílio. As crianças não foram identificadas. Foto de Cirilo Cabral. |
Porque quando eu era novo, a gente vinha de Pau dos Ferros, mamãe sempre
dizia: ‘Vamos visitar papai’. Quando vinhamos a Mossoró, obrigatoriamente íamos
ao Riacho Grande. A casa da fazenda era azul, ela foi demolida. Havia umas
quatro ou cinco casas, que era dos moradores e dos agregados. Lembro que quem
morava lá também era Louro Gato, Manoel Alves. Lembro muito, tio Chico. Quando
eu era criança e ainda morávamos em Pau dos Ferros, quando víamos para Mossoró,
a gente ficava na casa dele. Nesse tempo Padrinho Pedro e Madrinha Toinha ainda
não tinham casa na cidade. E sempre tio Chico nos chamava para irmos à fazenda.
Então, ele passava por mim e perguntava: “Quer ir, lá na fazenda?”. Ora, eu
doido para andar de táxi. Um Ford, carrão, o motorista era Zé de Mariquinha. Tio
Chico era muito bom. Fazia umas vaquejadas na fazenda. A vaquejada daquele
tempo, não é como essa de hoje, não! Com o boi solto correndo no corredor. Naquele
tempo, soltavam o boi no pátio. Enorme. Quem fosse vaqueiro, pegasse. Tinha
cerca muito longe, mas o espaço para o boi correr e se defender, era grande
demais. Isso mais ou menos, final da década de 30 para a de 40. Eu era menino. Quando
a gente não ia na fazenda com tio Chico, ia de carroça ou carro de boi. Às
vezes numa carroçona grande, de tio Louro. Nesse tempo, toda vez que a gente
vinha a Mossoró, tio Cirilo chamava mamãe e dizia: “Leve o menino no dentista”.
Ia dar uma revisada. Era com um dentista formado. Tio Eliseu me dava ar roupa, sapato,
material escolar. Nesse tempo, ele já era do Banco do Brasil.
| Guiomar no Riacho Grande |


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