segunda-feira, 14 de julho de 2014
RIACHO GRANDE
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| Em foto de 1946, Chico, Pedro e Odílio, Fazenda São Pedro, no Riacho Grande. Foto de Cirilo Cabral. |
A mudança de Pau dos Ferros para Mossoró, mais precisamente para o Riacho Grande, aconteceu no final de 1934.
O Riacho Grande fica na zona rural de Mossoró, à margem da rodovia RN 015, entre Mossoró e Baraúna. Atualmente está construído o Complexo Penitenciário Mário Negócio, que abriga diversos presídios.
Foi exatamente para esse lugar que Pedro e Antônia levaram os filhos, com exceção de Chico, Cirilo e Eliseu, que já moravam em Mossoró.
Assim, as terras adquiridas de Pedro em sociedade com o filho Chico, passaram a se chamar Fazenda São Pedro, aonde Pedro trouxe o gado de Pau dos Ferros, tangidos pelo filho Odílio e vaqueiros de Pedro, no final de 1934.
Os filhos: Maria, José, Júlia e Regina não vieram com os pais para Mossoró porque já estavam casados e permaneceram em Pau dos Ferros. Tempos depois, migraram, com exceção de José, o único filho a permanecer na terra natal.
Maria e Regina vieram morar no Riacho Grande, eram casadas com agricultores. Júlia quando veio, passou a residir no bairro Doze Anos, pois o marido era barbeiro e montou barbearia e mercearia no mesmo bairro.
Em 1935, Adelzira, Guiomar e Inalda passaram a morar em Mossoró, para dar prosseguimento nos estudos, e Chiquinha, que veio para cuidar da casa de Chico Cabral, enquanto as irmãs estudavam, ficando no Riacho Grande: Véscia, Ana e Odílio.
Vizinho as terras de Pedro e Chico, já havia a Fazenda São João, pertencente a um senhor já idoso, João, proprietário de muitos hectares de terras que adoeceu e teve que se desfazer da fazenda para pagar o tratamento de saúde. O médico pediatra Tarcísio de Vasconcelos Maia, nascido em 1916, adquiriu essas terras do senhor João, incluindo a Fazenda São João. Sabe-se que próximo do antigo casarão da fazenda, ainda há um poço datado de 1932, com as iniciais da Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca, órgão ligado ao Ministério da Viação e Obras Públicas, mas que em 1936, passou a ser denominado DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra Secas.
No Riacho Grande, as tarefas eram divididas: Véscia ajudava a mãe nas tarefas de casa, arrumar, cozinhar, lavar e passar roupa. Ana cuidava da mercearia que Pedro montou para atender seus colaboradores, vaqueiros e agricultores, bem como da região. E Odílio fazia de tudo na fazenda, cuidava de gado, plantio e colheita. Mas o que gostava mesmo era do gado e de cavalos.
Pedro montou um local para a corrida de gado, o que seria um parque de vaquejada, que segundo Odílio, não havia cercas delimitando o espaço ou o corredor por onde o vaqueiro corria com o boi, era tudo solto. Pedro gostava de ver vaquejada e de correr também. Antônia ficava estressada e comentava: "Onde já se viu, um velho correr atrás de gado".
O deslocamento do Riacho Grande para Mossoró era de cavalo, jumento ou carro de bois. Nesse tempo, o trajeto Mossoró para Fortaleza era feito pela mesma estrada.
Antigamente, o trajeto entre Mossoró e Riacho Grande era de duas horas a cavalo ou jumento.
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| Em 1947, um padre Franciscano, Pedro, Chico e Odílio. As crianças não foram identificadas. Foto de Cirilo Cabral. |
Porque quando eu era novo, a gente vinha de Pau dos Ferros, mamãe sempre
dizia: ‘Vamos visitar papai’. Quando vinhamos a Mossoró, obrigatoriamente íamos
ao Riacho Grande. A casa da fazenda era azul, ela foi demolida. Havia umas
quatro ou cinco casas, que era dos moradores e dos agregados. Lembro que quem
morava lá também era Louro Gato, Manoel Alves. Lembro muito, tio Chico. Quando
eu era criança e ainda morávamos em Pau dos Ferros, quando víamos para Mossoró,
a gente ficava na casa dele. Nesse tempo Padrinho Pedro e Madrinha Toinha ainda
não tinham casa na cidade. E sempre tio Chico nos chamava para irmos à fazenda.
Então, ele passava por mim e perguntava: “Quer ir, lá na fazenda?”. Ora, eu
doido para andar de táxi. Um Ford, carrão, o motorista era Zé de Mariquinha. Tio
Chico era muito bom. Fazia umas vaquejadas na fazenda. A vaquejada daquele
tempo, não é como essa de hoje, não! Com o boi solto correndo no corredor. Naquele
tempo, soltavam o boi no pátio. Enorme. Quem fosse vaqueiro, pegasse. Tinha
cerca muito longe, mas o espaço para o boi correr e se defender, era grande
demais. Isso mais ou menos, final da década de 30 para a de 40. Eu era menino. Quando
a gente não ia na fazenda com tio Chico, ia de carroça ou carro de boi. Às
vezes numa carroçona grande, de tio Louro. Nesse tempo, toda vez que a gente
vinha a Mossoró, tio Cirilo chamava mamãe e dizia: “Leve o menino no dentista”.
Ia dar uma revisada. Era com um dentista formado. Tio Eliseu me dava ar roupa, sapato,
material escolar. Nesse tempo, ele já era do Banco do Brasil.
| Guiomar no Riacho Grande |
MOSSORÓ
| Casa de Pedro e Antônia, em Mossoró. Rua Frei Miguelinho com Rui Barbosa |
No
final dos anos 1940, Pedro Cabral adquiriu um terreno no centro
de Mossoró, junto a linha do trem da REFESA, aonde construiria três casas, uma
para ele e Antônia e as outras duas viria a alugar a parentes, filhas e um neto.
O terreno localiza-se na Rua Frei Miguelinho, fazendo esquina do lado direito com a Rua Rui Barbosa e à direita, com a Avenida Rio Branco, atualmente, ao lado do Memorial da Resistência, no Corredor Cultural de Mossoró. À época, era uma praça. A linha do trem ficava entre as casas e a praça.
O terreno localiza-se na Rua Frei Miguelinho, fazendo esquina do lado direito com a Rua Rui Barbosa e à direita, com a Avenida Rio Branco, atualmente, ao lado do Memorial da Resistência, no Corredor Cultural de Mossoró. À época, era uma praça. A linha do trem ficava entre as casas e a praça.
Do lado oposto, havia os fundos da Capela de São Vicente e, à direita dela, a residência de Chico Cabral. No cruzamento da Frei Miguelinho com a Rui Barbosa, era a sede da Alfredo Fernandes & Cia, aonde trabalhava Chico e Cirilo, que já faziam parte da diretoria. Eram homens bem sucedidos.
Pedro contratou uma dupla de
pedreiros, Paulino e Ledimar, este um garoto ainda. Não se sabe exatamente o
ano, mas presume-se que Pedro ainda morava no Riacho Grande quando construiu a
primeira casa, que ele viria ocupar, que é a da esquina com a Rui Barbosa.
Ali, Pedro acompanhava a construção. Ledimar, ajudante de
pedreiro, em entrevista para este blog, lembra bem que a casa foi construída seguindo
as orientações de Pedro e Guiomar, porém, ela nem sempre concordava com as divisões
dos cômodos que o pai queria. “Mas seu Pedro mudava de opinião com as
observações de Dona Guiomar, de uma forma bastante educada, nunca discutiram,
ela sempre tinha razão”, lembra Ledimar.
A casa tinha três quartos, uma sala de
estar, sala de jantar e cozinha, com pequeno quintal acimentado e mais um quarto nos fundos.
Para a Rua Frei Miguelinho, havia duas janelas. A porta da frente ficou virada para a Rui Barbosa, mais duas janelas e um portão que dava acesso ao quintal e ao quartinho dos fundos. Esse quartinho foi usado por Edmundo, quando ele era adolescente e veio estudar em Mossoró, os pais ficaram em Pau dos Ferros. O fogão era à lenha, não havia geladeira, foi montado um moinho no quintal para moer milho para cuscuz. Também havia um grande pilão de madeira, para pilar a carne de sol.
Para a Rua Frei Miguelinho, havia duas janelas. A porta da frente ficou virada para a Rui Barbosa, mais duas janelas e um portão que dava acesso ao quintal e ao quartinho dos fundos. Esse quartinho foi usado por Edmundo, quando ele era adolescente e veio estudar em Mossoró, os pais ficaram em Pau dos Ferros. O fogão era à lenha, não havia geladeira, foi montado um moinho no quintal para moer milho para cuscuz. Também havia um grande pilão de madeira, para pilar a carne de sol.
Pedro
e Antônia mudaram para a casa e levaram as filhas solteiras: Véscia, Chiquinha
e Guiomar. Odílio ficou no Riacho Grande, aonde construiu uma casa. Tempos depois
veio morar no bairro Doze Anos.
Em 1961, quando Inalda separou de Pielson, grávida, passou uma temporada no quarto dos fundos, junto com os sete filhos e a babá, Antônia Alves de Sousa, Toinha.
Em 1961, quando Inalda separou de Pielson, grávida, passou uma temporada no quarto dos fundos, junto com os sete filhos e a babá, Antônia Alves de Sousa, Toinha.
Vizinho
à casa aonde estava morando, Pedro construiu o que viria a ficar conhecida pela
família como a ‘casa do meio’. Casa pequena, com sala, dois quartos e um
corredor lateral que dava para a cozinha e quintal acimentado com banheiro. Nessa casa, em
meados de 1951, morou Adelzira e Juca Freire vieram de Patu, com os filhos mais
velhos: Zilda, Zilene, Gizélia e José Hélio, todos nascidos em Upanema. Nesta
casa, nasceu uma menina que viveu por algumas horas. Zilda tem lembrança dessa
casa vizinho a do avô, porque foi ali que sua mãe deu a luz a Geíza, que
faleceu de coqueluche. “Tenho a lembrança do corpo dela na mesa”, disse Zilda.
No final de 1961, essa casa foi alugada a Inalda, com os oito filhos, mais Toinha. Do lado direito da ‘casa do meio’, Pedro construiu a casa que faz esquina com a Avenida Rio Branco e que, nos anos 1980, abrigou a Escola de Datilografia São Lázaro, bem ao lado do Memorial da Resistência. Nesta casa, Inalda morou um tempo com Pielson. Sabe-se que Lúcia nasceu na maternidade, enquanto moravam nesta casa.
Ainda nos anos 1960, o neto Canindeh Alves e Ivanilda Linhares, moraram alguns anos.
Pedro e Chico venderam parte de terras no Riacho Grande e Pedro adquiriu um terreno enorme no bairro Aeroporto, aonde montou um quintal e para lá ia diariamente a pé, saindo de madrugada e atravessando toda a Rua Frei Miguelinho. Pelo caminho cruzava com filhos e netos, muitos já morando no bairro Doze Anos, além de Regina que, saindo do Riacho Grande, foi morar em casa própria na Rua Felipe Camarão, pertinho do aeroporto.
No final de 1961, essa casa foi alugada a Inalda, com os oito filhos, mais Toinha. Do lado direito da ‘casa do meio’, Pedro construiu a casa que faz esquina com a Avenida Rio Branco e que, nos anos 1980, abrigou a Escola de Datilografia São Lázaro, bem ao lado do Memorial da Resistência. Nesta casa, Inalda morou um tempo com Pielson. Sabe-se que Lúcia nasceu na maternidade, enquanto moravam nesta casa.
Ainda nos anos 1960, o neto Canindeh Alves e Ivanilda Linhares, moraram alguns anos.
Pedro e Chico venderam parte de terras no Riacho Grande e Pedro adquiriu um terreno enorme no bairro Aeroporto, aonde montou um quintal e para lá ia diariamente a pé, saindo de madrugada e atravessando toda a Rua Frei Miguelinho. Pelo caminho cruzava com filhos e netos, muitos já morando no bairro Doze Anos, além de Regina que, saindo do Riacho Grande, foi morar em casa própria na Rua Felipe Camarão, pertinho do aeroporto.
O filho adotivo, Luis Gonzaga casou e foi
morar em casa no mesmo bairro, junto as terras de Pedro e, diariamente lhe
fazia companhia e ajudava na criação de caprinos e ovinos. Luis contou a Lúcia
que os dois almoçavam embaixo de um pé de juazeiro e deitavam um pouco. Esse
juazeiro ainda resiste ao tempo, está localizado junto a antiga Central do
Cidadão, aonde por longos anos funcionou o Detran.
| No Colégio Sagrado Coração de Maria, Guiomar, uma moça não identificada e Inalda, por volta de 1940. |
BODAS DE OURO
O QUE DIZEM
O que contam os netos
Quando faleceu, em 1965, Pedro Cabral deixou trinta e
oito netos e cinco bisnetos.
O velho Pedro Cabral pregava
peça com os netos no dia da mentira e vivia arranjando apelidos para eles. Os
netos que nasceram antes de 1960, não esquecem aquele avô carinhoso e, às
vezes, rígido, que tinha uma mão pesada para bater neles, quando julgava
que mereciam.
Quando veio morar em Mossoró, à Rua Frei Miguelinho com a Rui Barbosa, Pedro tinha uma vacaria em
sociedade com a filha Maria, no quintal da casa dela, à rua Silva Jardim, no bairro Doze Anos. Estelina,
filha de Maria, desde criança ajudava o avô tirar leite e fazer as contas. Na
época de colheita de melancia gostava de acompanhá-lo no roçado, no bairro Aeroporto.
Ele passava às cinco horas da manhã na casa
de Maria para pegar Estelina, à época com nove anos: “Nem sempre mamãe deixava
eu ir. Eu achava bom porque comia as melancias com ele”, lembra Estelina.
Quando Estelina tinha uns quatro anos, ele costumava pegar os netos nessa faixa de idade e dizia que quem beijasse o dedão do seu pé, ganhava moedas: “O pé era bem limpinho, ganhei diversas vezes dois tostões, três e até um cruzado. Eu guardava para depois comprar um docinho, um bolinho, deixava no cofre que a gente tinha. De primeiro os adultos davam dinheiro criança”, recorda.
Pedro sempre andou com dinheiro no bolso da calça. O restante guardava no banco. Quando fazia um pagamento contava o dinheiro
tantas vezes até ter certeza que o dinheiro estava contado certo. “Eu nunca
tive a certeza se era para não pagar a mais ou com medo de pagar a menos”,
lembra Estelina.
Gostava de contar estórias de trancoso
para os netos. Eram estórias de rei, de rainha, que inventava para os netos contar
para os outros. Contava estória de
botija, de alma: “Ficávamos até altas
horas ouvindo estórias de assombração, íamos dormir horrorizadas e acordávamos
de madrugada, com medo”, disse Estelina.
As crianças
acreditavam em Saci, em caipora.
Sobre essas idas diariamente
ao terreno no Aeroporto, Pedro Segundo lembra que o velho Pedro tinha amizade
com uma mulher, dona de um prostíbulo, nas proximidades do terreno. Quando
levava Segundo para o terreno, de vez em quando, no retorno, fazia uma parada para tomar um cafezinho e ordenava
que o neto fosse embora, o que despertava curiosidade em Segundo,
naquelas visitas para um cafezinho.
Um dos que provaram da mão pesada do
avô é Canindé, filho de Inalda. Quando Pedro faleceu, Canindé tinha apenas sete
anos de idade. Ele se lembra do terreno que o avô possuía no bairro Aeroporto,
onde tempos depois a prefeitura se apossou e construiu a antiga
rodoviária da cidade, tempos depois foi demolida e construíram a sede do Centro Administrativo do município. A
família foi indenizada pela prefeitura por um valor irrisório. Naquele
terreno Pedro havia ‘montado’ uma filial da Fazenda São Pedro, onde mantinha
uma plantação de frutas e verduras e criava um pequeno gado. Para lá ele se dirigia diariamente, juntamente com Luis Gonzaga, o Negaiz, que morava próximo. A família às vezes
chamava o terreno de curral, outras vezes de roçado. Na verdade, era um sítio
enorme já era dentro da cidade e havia poucas casas em volta. Negaiz contou que cada um levava o seu almoço e, após a refeição, deitavam no chão, embaixo de um pé de juazeiro, que ainda se mantém no mesmo local, próximo ao prédio aonde funcionou por muito tempo, a Central do Cidadão e Detran.
De vez em quando, Pedro levava
Canindé e seu irmão, Rocha Neto, um ano mais velho, que Pedro apelidara de Mané Mococa. Ali, Pedro tirava leite das
vacas, que as crianças traziam em baldes, à pé, até sua casa, no centro, junto da
linha do trem, cerca de três quilômetros.
Numa dessas vindas, Canindé levou uma topada e derrubou bastante leite. “Ele não
perdoou e meteu a mãozada em mim”, disse Canindé.
Canindé jura que a melhor diversão de Pedro
Cabral era botar os dois irmãos de castigo num quartinho escuro. Lembra bem do
enterro do avô, pois na hora em que os adultos foram retirar o caixão da sala
de sua casa, na rua Frei Miguelinho, ele e sua irmã caçula, Conceição, à época
com apenas três anos de idade, agarraram o caixão, não queriam que levasse o
avô: “Uma coisa que ele repetia demais é que “O homem que não tem uma casa para
morar é como um cachorro, mora na casa dos outros”, recorda Canindé.
Geruza, filha de Adelzira, conta que sua
mãe passava aos filhos os predicados do pai. Ensinava que ele era um homem de
vergonha: “Mamãe dizia que a cor não quer dizer nada, porque quem faz a pessoa é
a sua personalidade de justiça, de paz, de respeito humano, de dignidade. Sempre repetia que ele respeitava a
família e o próximo, era um homem muito benquisto dentro de Mossoró. Ela nos ensinou
a não sermos racistas, porque o pai dela era um homem moreno e que toda vida
deu conta da família. Que apesar de termos avós paternos, brancos, de olhos
claros, que correspondiam aos mesmos princípios de nosso avô materno, de bons princípios.
Tive sorte até nisso”, explica Geruza.
Pedro faleceu em Mossoró, em 13 de agosto
de 1965, de trombose.
O QUE CONTAM OS BISNETOS
Os bisnetos quase não sabem nada de Pedro Alves Cabral. Quando faleceu deixou poucos bisnetos como Leda, Marileide, Vilaine, Francisco Linhares Neto e Ivana Maria. A primeira, Leda, estava com quatro anos de idade e a caçula, Ivana, apenas quatro meses.
Alderir, ex-jogador de futebol e natural do Riacho Grande, em 2016, disse que desde cedo ouvia falar que Pedro era um bom pai de família. "Eu era menino e papai era muito amigo da família. A gente era vizinho no Riacho Grande. Papai dizia que seu Pedro era um homem de barriga cheia. A mercearia que ele tinha na fazenda, servia também para a redondeza. Papai comprava saco de arroz e feijão".
Os bisnetos quase não sabem nada de Pedro Alves Cabral. Quando faleceu deixou poucos bisnetos como Leda, Marileide, Vilaine, Francisco Linhares Neto e Ivana Maria. A primeira, Leda, estava com quatro anos de idade e a caçula, Ivana, apenas quatro meses.
Alderir, ex-jogador de futebol e natural do Riacho Grande, em 2016, disse que desde cedo ouvia falar que Pedro era um bom pai de família. "Eu era menino e papai era muito amigo da família. A gente era vizinho no Riacho Grande. Papai dizia que seu Pedro era um homem de barriga cheia. A mercearia que ele tinha na fazenda, servia também para a redondeza. Papai comprava saco de arroz e feijão".
ÁRVORE GENEALÓGICA
Filhos por ordem nascimento
1903 - Francisco Alves Cabral
Chico
Cabral
1904 - Maria Alves Cabral
1906 - José Alves Cabral
1907 - Cirilo Alves Cabral
1908 - Julia Alves Cabral
1911 - Regina Alves Cabral
1912 - Véscia Alves Cabral
1914 - Elias Alves Cabral
faleceu ao nascer, gêmeo
faleceu ao nascer, gêmeo
1914 - Eliseu Alves Cabral
1915 - Odílio Alves Cabral
1917 - Francisca Alves Cabral Chiquinha
1920 - Adelzira Alves Cabral
1921 - Ana Alves Cabral
faleceu criança
faleceu criança
1923 - Guiomar Alves Cabral
1926 - Ana Alves Cabral
1927 - Inalda Alves Cabral
1930 -
Luiz Gonzaga Alves Cabral faleceu criança
1930 - Luiz Gonzaga, adotivo
domingo, 11 de maio de 2014
FRANCISCO ALVES CABRAL
FILHO 1: FRANCISCO ALVES CABRAL - CHICO CABRAL
N. KLEBER PAIVA CABRAL
Kléber Paiva Cabral nasceu em Mossoró, em 5 de maio de 19XX. Graduado em Agronomia, pela Universidade Federal do Ceará.
B. Thales Francisco Cabral, nasceu em xxxxx graduado em Direito. Nasceu em xxx. Graduado em Direito, pela Universidade Estadual do Sudoeste, Vitória da Conquista, em 2006. Sempre concursado, foi assessor parlamentar da Câmara de Vereadores de Conquista, funcionário do Banco do Brasil, analista técnico da Justiça da Bahia, analista técnico do TRT, Itapetinga, Bahia, Procurador do Estado de Alagoas até 2017 e, atualmente, Procurador do Estado da Bahia, em Vitória da Conquista, desde 2017. Recebeu o título de Master of Science - MS - da Universidade Federal de Alagoas, com nota 9,5 para alegria dos pais corujas. Reside em Vitória da Conquista. Mestre pela Universidade Federal de Alagoas, também leciona na FAINOR - Faculdade Independente do Nordeste, em Vitória da Conquista.
Casado com ... e pai de .....
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| Diretoria da Alfredo Fernandes & Cia. Francisco Cabral, ou Chico Cabral é o ultimo sentado. O primeiro em pé, é Cirilo. |
| Chico Cabral no Rio de Janeiro, 1927. |
Chico Cabral, foi o primeiro filho de Pedro Alves Cabral e Antônia Néri
Cabral, nascido no Riacho do Meio, Pau dos Ferros, em 09 de fevereiro de 1903.
Sobre sua infância, sabe-se que desde os três anos de idade
acompanhava o pai na agricultura, ajudava a limpar o roçado, tirava mato. Ajudava também o pai na vazante, no plantio de batata e feijão. O pai construiu uma casa de
taipa – com vara, areia e cal - e Chico amassava o barro. É comum no sertão
ainda hoje os filhos acompanharem o pai nos afazeres. Os irmãos o
chamavam de Chico Velho. Gostava de fazer pipoca para todo mundo.
Aos quinze anos de idade um dos
membros da família Fernandes vendo que aquele rapazinho era esperto, ofereceu
um emprego para ele na cidade, em Pau dos Ferros, onde seria porteiro da Escola Municipal Joaquim Correia. Pedro aceitou e fazia um sacrifício para todo dia atravessar o açude 25 de Março num pequeno barco para que Chico chegasse à escola. O açude
ficava quase em frente a casa de Pedro Cabral.
Inteligente, Chico diariamente esperava os alunos entrar em sala de aula
para ficar espiando nas janelas. Foi assim que aprendeu a ler e fazer contas.
Mais uma vez foi-lhe oferecido outro emprego por um membro da família
Fernandes, não se sabe se o mesmo que conseguiu o emprego anterior. Dessa vez
Chico teria que morar em Mossoró.
Chico aceitou a oportunidade, mas logo avisou que sua vaga ficaria com Cirilo, então, em seu lugar, de vigia na escola, ficou Cirilo, já um rapazinho, que seguiu o exemplo do irmão e aprendeu a ler e contar na janela das salas de aula.
Eliseu conta: "Alfredo Fernandes numa viagem a Pau dos Ferros, trouxe Chico Cabral para
lavar garrafas, ele tinha uma fabrica de bebidas e um dia Chico lhe disse que
não lavaria mais garrafas, que queria outro emprego. Meu pai veio a Mossoró e
Chico aproveitou e disse a ele para pedir a Alfredo para trabalhar no
escritório da firma recém criada, Alfredo Fernandes e Cia".
Chico nessa época morava na casa de Ezequiel Fernandes, sócio de Alfredo. "Chico era uma
espécie de secretário de seu Ezequiel, diariamente trazia água para ele beber
na empresa, tanto Alfredo como Ezequiel, meu pai falou com Alfredo que o fez
largar a água e trabalhar dentro do escritório. Chico Cabral era inteligente e ficou feliz", disse Eliseu.
No ano seguinte Chico Cabral já estava bem posicionado na empresa, ordenou que Cirilo viesse para Mossoró, trabalhar na função de descascador de algodão na mesma firma. Mais tarde seria a vez de Eliseu, que veio estudar e depois Chico Cabral o encaminhou para trabalhar no Banco do Brasil, onde ficou até se aposentar. Eliseu contou que Chico e Cirilo eram grandes amigos e colegas de trabalho. "Trabalharam juntos até a morte. Chico chegou a ser sócio da firma, quem mandava ali era Alfredo,
Ezequiel e Chico, que era responsável pelos funcionários", disse Eliseu.
Odílio, o caçula dos homens, o único que não estudou e sempre trabalhou com o pai na agricultura lembra do irmão mais velho: "Cabral foi rico, chegou a ter duas mil
cabeças de boi, na Fazenda São Pedro, que construiu casas, armazéns, caixa
d’agua, cisternas, curral, cerca de arame, tinha 900 hectares de terras. Tudo
cercado de arame, estacas de sabiá e aroeira. Tinha nove casas de
trabalhadores", contou o irmão Odílio. "Meu pai deserdou todo mundo para Chico Cabral. Trabalhei quinze anos
para ele de graça e me botou para fora", disse Odílio magoado.
Chico Cabral foi um homem que conseguiu proporcionar à família uma vida
melhor financeiramente e êxito social. Tinha satisfação disso e para manter o
padrão de vida que escolheu era necessário dinheiro e ele sabia investir e
lidar muito bem com as finanças. Se visse um dos irmãos com uma roupa fraca, mandava-se trocar imediatamente.
Do tipo bon vivant , Chico Cabral era um apreciador de mulheres
atraentes e belas. Tinha um aspecto extraordinariamente bem parecido, roupas bem
feitas e sua elegância ostentosa davam-lhe um cunho fascinante.
Gerente do setor de algodão da Alfredo Fernandes e Cia., era autodidata:
“Foi um homem que, indiscutivelmente, tinha muito prestígio e crédito em
Mossoró. Quando pedia alguma coisa numa loja, mandavam na hora”, conta
Eliseu, que lembra que o irmão foi maçom, algo que não agradou a mãe.
Chico assumiu a educação das irmãs Guiomar e Inalda, tendo beneficiado
Adelzira e Chiquinha, além de Eliseu que, confessou, estava mais interessado em namorar do
que estudar.
Em1934, adquiriu uma fazenda, que batizou de Fazenda São Pedro, em
homenagem ao pai, no Riacho Grande. Em dezembro do mesmo
ano trouxe a família para a fazenda, os
pais e irmãos que ainda eram solteiros como: Ana, Odílio, Véscia, Inalda,
Guiomar, Adelzira e Chiquinha, além do irmão caçula adotivo Luiz Gonzaga, o
Negaíz.
Ficaram em Pau dos Ferros os irmãos casados, como José, Júlia e Regina.
Já instalados na Fazenda São Pedro, Chico Cabral trouxe para a sua casa,
em Mossoró, na rua Francisco Ramalho, lado direito da Igreja de
São Vicente, Inalda e Guiomar.
Extremamente cuidadoso com as irmãs, proibiu-as de ficar à janela, para
não namorar. Um dia, soube que Guió desobedeceu
suas ordens, pois andou batendo papo com
um amigo na janela. Deu-lhe uma grande surra e ameaçou levá-la de volta à
fazenda, caso insistisse. Nunca mais Guio conversou com rapaz nenhum. Nunca se casou, faleceu solteira.
Conta-se que antes desse episódio, Guiomar namorava um rapaz,
Edinho, filho de Manoel de Assis. Um dia ele achou que Guió namorava ‘Chupeta’,
um motorista de táxi, pegou-a, botou no carro e levou para a fazenda, onde
ficou dois dias de castigo. Chico Cabral era extremamente cuidadoso com as irmãs, deve ter recebido recomendações do pai.
Canindé Alves lembrou de uma Fobica, da Ford, e uma moto Jawa, grande,
importada que Chico possuía. Uma vez vinha de Riacho Grande para Mossoró com
Ninita na garupa, sempre conversando e
em determinado momento ela se calou, não respondia, quando ele se voltou para a
garupa não viu ninguém. Ninita havia caído e ficou para trás. Ele retornou e
ela vinha caminhando.
Moreno, Chico Cabral era da alta sociedade de Mossoró, playboy. Quando
resolveu sossegar e casar, para surpresa dos amigos e da família não foi
nenhuma das moças tidas como prováveis candidatas, inclusive, a colega de trabalho Aldiva Fernandes. Chico casou-se com uma mulher que
lançava moda, chegou a ser uma das mais elegantes da cidade, Francisca Paiva Cabral, a
Ninita, natural de Almino Afonso. Por
causa dessa escolha se intrigou com a mãe, que torcia pelo casamento com Aldiva. Conta-se que a mãe deu-lhe desprezo,
ao ponto de quando estava morando em Mossoró, em frente a empresa onde ele
trabalha, Alfredo Fernandes e Cia., bastava avistá-lo para entrar de casa
adentro e fechar a porta.
Do casamento nasceu um casal de filhos: Kléber e Keitha, que tiveram pouca convivência com a família. Em 1951, durante a festa de comemoração das Bodas de Ouro de Pedro e Antônia, reuniram a
família para uma foto. Chico Cabral e Ninita não compareceram, mas mandaram os filhos,
que aparecem na foto.
Chico Cabral era um homem bonito. Alto, um ‘tipão’ de homem. De
gestos simples, não andava na casa de ninguém, a não ser nas vezes que aparecia de surpresa para almoçar na casa
da irmã Maria Cabral.
Gostava de fazer isso para comer o que tivesse na mesa. “Ele era muito rico e a gente se
preocupava, mas como gostava de comida sertaneja...”, disse Estelina. Ela
lembra que seus filhos também apareciam, vinham em casa. Kléber era muito apegado
a Pedro Segundo, caçula de Maria. Tão apegado que o filho de Segundo é em sua homenagem.
Estelina não gostava de dizer que
era Cabral, por causa da riqueza dele, que era tão conhecido. “Na maioria das
vezes atrapalhava. Uma vez mamãe deixou de ganhar dinheiro num negócio que
não me lembro porque disseram que era
irmã de Chico Cabral", disse.
Os filhos de Chico Cabral tinham brinquedos, o que os outros sobrinhos não tiveram.
Aos cinquenta e nove anos de idade, Chico Cabral sentiu-se mal à noite. No dia seguinte o médico Lavoisier Maia, que
era ateu, chegou para ver o doente e, se dirigindo aos parentes disse: “Vocês
não têm um Deus aí? Quero ver ele funcionar agora. Duvido”, lembra Eliseu que assistiu a cena.
Quando faleceu deixou muita coisa: “Na firma ficou mais de três mil
cruzeiros”, diz Eliseu. Nunca foi feito o inventário de Chico Cabral. “No
velório a casa dele virou feira. Todo mundo foi vê-lo no caixão, a maioria por
curiosidade. Foi o maior enterro que vi em Mossoró”, diz Eliseu, que veio de
Recife, onde morava, a tempo de vê-lo vivo por alguns minutos.
Os filhos estudavam em Natal, Kléber era interno no Colégio Marista, tinha quinze
anos de idade e Keitha era interna na Escola Doméstica, com doze anos de idade.
| Chico Cabral |
FRANCISCO
ALVES CABRAL, por Kleber
Meu pai era o filho mais velho e, pelo que sei, responsável pelos estudos e
primeiros empregos dos seus irmãos.
Vivi com ele menos de um quarto da minha vida, mas, lembro de alguns
fatos e passagens que me permitem prestar depoimento sobre sua pessoa e como
vivia.
Era um homem sério, trabalhador e cumpridor das suas obrigações.
Minha mãe era sua musa e inspiração, ele dedicava todas as suas atenções
para ela, a ponto de ter se indisposto com vovó Antônia, mantendo-se afastado
dela desde a decisão pelo casamento com mamãe até a sua morte.
Fazia questão de oferecer para mamãe tudo o que achava que ela queria e
procurava adivinhar os seus pensamentos.
Embora não gostasse, acompanhava mamãe a todas as festas na ACDP, Clube
Ypiranga, casamentos, aniversários, etc. A 'disputa' entre mamãe e Zedê
Caminha, mulher de doutor Alcestes, gerente do Banco do Brasil, pelo
título de 'Mais elegante de Mossoró' e 'Mais elegante do Rio Grande Norte', fez
parte do folclore da cidade na década de 1950. Também patrocinava todas as festas que ela fazia, como os dez anos de
Keithinha, quando contratou, nada mais, nada menos, que o cantor mexicano
Bienvenido Granda, que fazia sucesso no Brasil.
Era devoto de São Francisco do Canindé e, embora não fosse de frequentar
igrejas, não conseguindo pôr em mim o nome do santo, conseguiu levar-me até o
Canindé, depois de batizado, para me entregar ao santo. Segundo mamãe, isso
aconteceu quando eu já tinha cerca de nove meses de idade.
Devido ao seu desentendimento com vovô Antônia, pouco me relacionei com
os primos do seu lado, mantendo mais afinidade com os primos da família de
mamãe. De qualquer sorte, fiquei muito amigo de Segundo, filho de tia Maria e
mantive relacionamento mais próximo com os tios Cirilo e Odílio.
Somente depois da sua morte é que conheci diversos primos, principalmente,
durante a doença de vovô Pedro, quando também, praticamente, conheci vovó
Antônia. Aliás, desde então, sempre que fui a Mossoró fiz questão de visitá-la,
inclusive, tendo me hospedado em sua casa numa das oportunidades. Nunca lhe
perguntei nada sobre papai, mas ela sempre fez questão de dizer quanto eu era
parecido com ele.
Meu pai não escondia seu apego com Keithinha, até porque ela, sendo
mulher, conseguia ser mais carinhosa com ele.
Da minha parte, percebendo o quanto ela tinha facilidades com ele,
utilizava-me dela para obter coisas, como dinheiro para ir ao cinema, comprar
balas e brinquedos, pois, diretamente ele era mais difícil de convencer.
Preocupava-se com os meus estudos e os de Keithinha.
Queria que eu fosse médico, pois achava que eu não tinha perfil para
profissão mais difícil, implicava que eu tinha de ter uma profissão que me
fizesse ficar rico mais facilmente.
Em 1959, levou-me para Natal, internando-me no Colégio Santo
Antônio - Marista - e onde fiquei até 1962, quando ele faleceu. Nesse ano, também
Keithinha foi estudar em Natal, na Escola Doméstica.
Não tinha o costume de beber, lembro que certa vez, bebeu algumas
doses de uísque, num baile da ACDP e caiu num dos banheiros do clube,
machucando o nariz. Nunca mais soube que tenha bebido mais que um ou dois copos de cerveja.
Adorava as festas juninas, Luiz Gonzaga seu cantor preferido e quando
viajava para a fazenda ficava cantando o tempo todo A Mula Preta.
Adorava o Riacho Grande e só deixava de ir lá quando estava fora de
Mossoró. Ia lá todos os dias, impreterivelmente, às 5 horas da manhã, para
assistir a ordenha das vacas e voltava para o trabalho, a partir das 8 horas da
manhã. De acordo com a necessidade, voltava lá na parte da tarde.
Certa vez aprontou uma comigo e com mamãe...
Eu namorava Eliana, filha de doutor Francisco Cabral, chefe do Ministério
de Agricultura em Mossoró e, na terça feira do carnaval de 1962, ele deixou que
eu ficasse na ACDP até o amanhecer do dia, pois mamãe ia com Keithinha para
Natal, às 5 horas da manhã. Aproveitei e fiquei namorando até umas 8 ou 9 horas
da manhã, quando cheguei em casa. Ele tinha ido para o Riacho Grande, mas ficou sabendo da hora que cheguei e ficou danado: “A primeira vez que deixo ele
ficar sozinho e ele se esbanja. Pode deixar que vai acertar comigo” – ameaçou
para os empregados lá de casa. Daí a uns quinze dias iríamos para Natal juntos.
O dia marcado era um sábado, de manhã e, na véspera, encontrei-me com
uns amigos e sai para a farra. Viramos a noite e meu pai foi me buscar na
Sorveteria Oásis, lá para as 9 horas da manhã, me deu aquele 'esculhacho' e me
mandando trocar de roupas, partimos dali mesmo para Natal. Na estrada, vamos
dizer, voltamos a nos entender e ele arquitetou um plano para fazer uma gozação
com mamãe. Em Natal, mamãe e Keithinha já estavam hospedadas no Grande Hotel.
No hotel, depois de tomarmos banho, fomos para o restaurante jantar e,
de volta para o apartamento, ele começou a conversa:
- Já soube o que o seu filho fez, dona Ninita?
Mamãe quase passa mal, pois, em seguida, ele contou que
Eliana estava grávida e que agora o que restava era me casar e me por para
estudar e criar a criança.
Foi aquele clima, até que ele fechou o assunto,
dizendo:
- Se fosse verdade, você acha que eu teria trazido ele
para cá sozinho? – perguntou para mamãe. – Claro que não, mulher, já teria
levado para a fazenda e iria colocá-lo no trabalho, para fazer jus às suas
necessidades. Eu não vou criar filho de ninguém.
O acontecimento embora tenha
parecido desagradável, contribuiu para que eu conhecesse um pouco da sua
personalidade.
Vivi apenas quinze anos com ele, mas, muita coisa que
aconteceu com papai tem acontecido comigo.
Meu sogro gostava de ser chamado de padrinho,
mas meu filhos, sem qualquer orientação, minha ou de minha mulher, só o
chamavam de vovô.
Concordo com o que dizia vovô Pedro: “Os filhos
devem ser preparados pelos pais para que ganhem com o seu suor o sustento e
construam suas vidas”. Juntar patrimônio para a família quase sempre resulta em
problemas para a geração futura. Foi o que aconteceu, em parte, conosco. Papai
tinha um bom patrimônio: Fazenda São Pedro, casa boa, carro novo, caminhão,
etc., além de ter ajudado a sua família e a de mamãe e, se tivesse vivido
mais, certamente, teria juntado muito mais.
Com a sua morte, todos foram pegos de surpresa.
Minha mãe não tinha a menor ideia do que ele realmente fazia, quais os seus
direitos e suas obrigações. Ainda hoje lembro que o doutor José Leão, conhecido
pelas suas bebedeiras, devolveu o cheque que recebeu pelo atendimento prestado
ao meu pai, por achar que não merecia o pagamento, uma vez que, segundo ele
nada fizera para contribuir para a sua recuperação. Por outro lado, doutor Maltez,
que era nosso vizinho e obstetra, embora tenha estado lá em casa, recebeu o
pagamento.
Minha mãe chegou a pagar débito do meu pai no Banco
do Brasil antecipadamente, a pagar 'débito de boca', pessoas que diziam que
tinha crédito com papai, sem mostrar qualquer comprovante. A fazenda terminou
sendo vendida sob a pressão do vizinho amigo e futuro governador, o doutor Tarcísio Maia. Tudo sob a pressão de 'amigos e parentes', sob a premissa de
manter o nome de meu pai limpo.
Só
voltei para Natal depois da morte de papai porque minha mãe pensava que seria
possível manter o nível de vida que papai nos oferecia e porque já pagara
alguns meses do internato.
A
realidade chegou e tivemos que nos adaptar às novas condições. Não foi
fácil, pois, tanto mamãe, quanto eu e Keithinha, acreditávamos ser tão ricos
que a morte de papai nada alteraria o nosso viver.
Fiz
muita besteira, gastei demasiadamente, para a minha idade e só dificultei as
tomadas de decisão de mamãe, mas aos 21 anos doei para minha mãe o que me
cabia no testamento de papai, até que mudamos para Fortaleza, onde passei a
viver de forma simples, contentando-me com o que tivesse disponível, até que
consegui me formar em julho de 1972.
Nesse
ano tomei a mais importante decisão da minha vida: Fazer o que fez meu pai;
sair pelo mundo à procura do sustento e do futuro.
-
Mamãe, se papai saiu de Pau do Ferros só com a tabuada, não é possível que eu,
com um diploma universitário, não seja capaz de fazer, ao menos, o que ele fez,
ou seja, construir uma vida nova, constituir e criar uma família.
Pois é, fui para
Minas Gerais e vim para a Bahia em 1981, onde estou até agora.
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| Francisca Paiva Cabral, a Ninina. |
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| Ninita, Kleber, Keytha e Chico Cabral, em 1951 |
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| Kléber e Keytha, em 1956 |
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| Keytha e Kleber, em 1960 |
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| Keytha, Kléber, Ninita e Chico |
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| Aruza Rosado, João Paiva, Chico Cabral, Ninita, Concita Escóssia e esposo |
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| Kléber, Ninita e Keytha, em 1965 |
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| Keytha, Ninina e Kleber Paiva Cabral |
N. KLEBER PAIVA CABRAL
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| Kléber com o pai, em 1946. |
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| Kléber com o pai, em dezembro de 1946. Kléber com quinze anos no portão de casa |
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| Casamento de Kléber e Tomires Socorro, em 1978 |
Kléber Paiva Cabral nasceu em Mossoró, em 5 de maio de 19XX. Graduado em Agronomia, pela Universidade Federal do Ceará.
Em 4 de fevereiro de 2022, escreveu:
"Vou contar a presença de São Francisco das Chagas, meu padrinho. Como foi a confirmação do meu batizado na Basílica do Canindé, no interior do Ceará.
"Vou contar a presença de São Francisco das Chagas, meu padrinho. Como foi a confirmação do meu batizado na Basílica do Canindé, no interior do Ceará.
Padre Hubert, Humberto para nós brasileiros, convenceu meu pai que o batizado tinha que ser o mais cedo e que a confirmação poderia ser feita depois no Canindé.
Pois bem, segundo minha tia Célcida, irmã da minha mãe, a coisa aconteceu assim, vou descrever como se soubesse o que acontecia:
Primeiramente, ao chegar no Canindé depois de oito horas de viagem num Jeep 1931, americano, legítimo, tiraram-me dos peitões da minha mãe. Não gostei.
Depos me deixaram despido e com frio.
Está pensando que acabou meu sofrimento? Não, puseram-me no colo de um boneco de gesso - os franciscanos tiram o boneco da criança do colo da estátua de São Francisco e colocavam o indijitatado, eu, no caso - nos braços do santo.
Não deu outra. Assustado, a primeira foi na cara, daí, desculpe a expressão, foi merda para todo lado. Caguei no santo e, se não fosse tia Célcida, ele teria morrido asfixiado.
Correria geral, meu pai encabulado, minha mãe apavorada.
A sorte do santo foi tia Célcida.
Rapidamente me tirou de cima do santo e ele voltou a respirar.
A sorte do santo foi tia Célcida.
Rapidamente me tirou de cima do santo e ele voltou a respirar.
Foi assim, pode acreditar.
Em julho de 2022 escreveu:
"Há exatos 50 anos, no dia 15 de julho de 1972, mais ou menos, a essa hora, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, no Ceará, eu suava que nem tampa de chaleira de água quente.
Estava na fila para a minha Colação de Grau como Engenheiro Agrônomo.
Cinquenta anos...
Uma vida inteira dedicada a profissão que escolhi ainda na minha juventude.
Distante do Ceará, mas com o meu umbigo enterrado em Mossoró, meu coração dividido entre o Ceará e Minas Gerais e minha Vida entregue à Bahia, não tenho mais nada a fazer que agradecer ao Grande Arquiteto do Universo por tudo o já vivi.
Nesses 50 anos conheci a mulher da minha vida, Tomires Socorro, tivemos quatro filhos maravilhosos - Thalita Mara, Thiago Francisco, Thales Francisco e Tadeu Francisco - ganhamos genro, Daniel Francisco, e noras - Lidiane e Juliana - quatro netos: Miguel, Francisco, Maitê, Maria Helena e Francisco - maravilhosos, mantivemos nossas amizades potiguares, cearenses e mineiras, adquirimos novos amigos baianos e continuamos à procura de novos amigos, com a Graça de Deus.
Finalizando, agradeço a sua atenção até agora e faço votos que continuemos assim, amigos.
Kleber
Residente em Vitória da Conquista, na Bahia, é aposentado do Banco do Brasil. Casado com Tomires Socorro, mineira. O casal teve quatro filhos:
B. Thalita, nasceu em xxxx Graduada em Psicologia, casada com Daniel Francisco mãe de Maria Helena e Francisco.
B. Thiago Francisco, nasceu em xxxx graduado em Engenharia Civil, na UFMG.
B. Thales Francisco Cabral, nasceu em xxxxx graduado em Direito. Nasceu em xxx. Graduado em Direito, pela Universidade Estadual do Sudoeste, Vitória da Conquista, em 2006. Sempre concursado, foi assessor parlamentar da Câmara de Vereadores de Conquista, funcionário do Banco do Brasil, analista técnico da Justiça da Bahia, analista técnico do TRT, Itapetinga, Bahia, Procurador do Estado de Alagoas até 2017 e, atualmente, Procurador do Estado da Bahia, em Vitória da Conquista, desde 2017. Recebeu o título de Master of Science - MS - da Universidade Federal de Alagoas, com nota 9,5 para alegria dos pais corujas. Reside em Vitória da Conquista. Mestre pela Universidade Federal de Alagoas, também leciona na FAINOR - Faculdade Independente do Nordeste, em Vitória da Conquista.
Casado com ... e pai de .....
B. Thadeu Francisco Cabral, nasceu em xxxx Graduado em xxxx
N. KEYTHA PAIVA CABRAL
Keytha nasceu em xxxx , em Mossoró.
N. KEYTHA PAIVA CABRAL
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| Keytha |
B. Francisco Romney Cabral Reis
B. Francisco Rodney Cabral Reis
B. Francisco Rodney Cabral Reis
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